Ran Hacohen, director do Departamento de Trabalhadores Estrangeiros e Refugiados da ONG israelita Physicians for Human Rights-Israel, declarou à BBC que a grande maioria dos trabalhadores estrangeiros chegou ao país de maneira legal “muitos trazidos por empresas de recursos humanos -, porém os seus vistos expiraram ou foram cancelados.
Acrescentou ainda que muitos destes estrangeiros ilegais estão em Israel há anos e alguns, inclusive, tiveram filhos no país.
Estas crianças, no entanto, não são cidadãs israelenses, já que, pela legislação do país, o simples nascimento em Israel não confere o direito à cidadania, pelo que deverão ser deportadas juntamente com os seus pais.
"Há cerca de 1,5 mil crianças que nasceram aqui, que falam hebraico e que não conhecem nenhum outro país", afirma Hacohen. "Pelo menos em relação a essas famílias, o governo israelita deveria adoptar uma atitude mais humana e dar-lhes a cidadania", acrescentou.
A maior parte desses trabalhadores é oriunda da China, Tailândia e Filipinas.
Organizações de defesa dos direitos humanos criticam a forma "indiscriminada" como os estrangeiros estão a ser expulsos e pedem que as autoridades examinem cada caso individualmente, tanto mais que, enquanto esta política de expulsão de ilegais é implementada, o governo israelita continua a autorizar a entrada de cerca de 20 mil novos trabalhadores estrangeiros por ano.
As ONG defendem que, no lugar de permitir a entrada de novos trabalhadores estrangeiros, o governo israelita deveria regularizar a situação daqueles que já se encontram no país.
Hacohen também afirma que há "grandes interesses económicos por trás da indústria de importação de trabalhadores estrangeiros, que pressionam o governo a continuar a trazer novos trabalhadores de fora".

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